Valter Campanato/Agência Brasil
Entrevista coletiva com o ministro da Saúde, Gilberto Occhi, que fala sobre o programa Mais Médicos.
A ministra da Saúde, Nísia Trindade, afirmou na terça-feira (10) que o programa Mais Médicos será uma das prioridades para os 100 primeiros dias de governo, e que planeja estudar iniciativas para que profissionais brasileiros possam ter uma maior participação no programa. Lançado no governo Dilma Rousseff (PT), o programa causou polêmica pela alta contratação de profissionais cubanos. Na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), a iniciativa foi suspensa e, agora, volta a ser motivo de divergências, já que o programa continuará contratando médicos de outros países, caso seja preciso preencher vagas faltantes. Em entrevista à CDN, o presidente do Sindicato Médico do Rio Grande do Sul (Simers), Marcos Rovinski, não vê a necessidade de trazer profissionais de outros países para trabalhar no Brasil.
Garantia de remuneração, segurança e estrutura
Ele explica que no Brasil, atualmente, existem cerca de 550 mil médicos, e, em 2023, o número será de 850 mil. A principal dificuldade está na distribuição destes profissionais, que optam por trabalhar nos grandes centros, onde encontram um ambiente mais seguro com melhor remuneração — necessidades básicas que precisam ser reavaliadas.
— Isso significa necessidade de valorização adequada, e isso se dá por remuneração, segurança e condições de trabalho. Não adianta pegar um médico extremamente bem informado, formado em Harvard, e jogar ele numa comunidade pequena do interior do Amazonas, onde não há laboratório, sala de cirurgia, não há hospital, não há nada. Esse médico só serve para segurar a mão dos pacientes, que é uma coisa extremamente importante, mas não é isso que a população brasileira precisa — explica.
A proposta do Simers é criar um plano de carreira de estado com um contrato de trabalho que, além de condições básicas, garanta o pagamento em dia, principalmente em hospitais do interior, que sofrem com a falta de condições financeiras e, consequentemente, profissionais.
— Nós não somos a favor da volta do Mais Médicos por que é uma medida paliativa, emergencial, que não muda nada estrutural. Na verdade, cria problema porque a população acha que está sendo atendida muitas vezes por médicos que não têm formação adequada. Se houver necessidade de médicos estrangeiros ou brasileiros formados no exterior, que passem por um exame de revalidação do diploma, né? Mostrando que tem condição de atender a população brasileira, porque o que vimos na edição foram vários descalabros — reforça.